O cenário de preços elevados dos grãos e dos animais de reposição poderá afetar a produção de gado confinado no segundo semestre de 2021. O analista da Agrifatto Consultoria, Yago Travagini, explica que se os custos de produção continuarem elevados e refletir nos preços da arroba, que podem chegar a R$ 340,00/@ no último trimestre deste ano.

“Precisamos acompanhar o comportamento dos custos do confinamento nos próximos três meses, mas se os preços da reposição e alimentação continuarem elevados podemos ter uma margem negativa para quem vai entregar no último trimestre”, destacou.

A intenção de confinamento já começou a aumentar diante da degradação das pastagens com a falta de chuvas nas principais regiões produtoras. Os contratos futuros apontam que entre julho e agosto os preços fiquem ao redor de R$ 320,00/@, sendo R$ 8,00/@ acima do que está sendo negociado atualmente.

“Esse patamar de preço é muito apertado para quem trabalha com confinamento, ainda mais diante das novas valorizações dos custos, como a reposição e alimentação. No início do ano, a cotação do cereal estava próxima de R$ 80,00/sc, e agora, observamos patamares em torno de R$ 100,00/sc. Não é só o milho que está deixando a alimentação mais cara, mas o farelo de soja segue bem valorizado”, destacou o analista da Agrifatto.

De acordo com os dados do Cepea, o pecuarista terminador do estado de São Paulo precisou de 9,94 arrobas para comprar um animal de reposição (nelore, de 8 a 12 meses) no Mato Grosso do Sul no mês de abril, 6,18% a mais que no mês anterior e 6,2% acima do necessário em abril do ano passado.

“Essas 9,94 arrobas necessárias em abril para comprar um animal de reposição são a maior quantidade de toda a série do Cepea. O recorde anterior era de maio de 2015, quando foram precisas 9,65 arrobas de boi gordo para a compra do animal de reposição – naquela época, vale lembrar, o bezerro também operava em patamares bastante elevados”, destacou o Cepea em seu relatório mensal.

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