O domínio absoluto e inquestionável do deputado federal Carlos Bezerra sobre o MDB já se estende por mais de quatro décadas. Tempo quase duas vezes mais longo que a duração do regime militar no Brasil (1964/1985). Ainda assim, o vetusto caudilho se diz democrata. “Temos ódio e nojo à ditadura”, declarou o decrepito parlamentar ao Rdnews, citando uma frase de Ulisses Guimaraes.    

Quem defende a democracia o faz porque acredita nos valores que dela irradiam, tais como liberdade de expressão, garantias de direitos individuais e coletivos e a não distinção de pessoas no tocante a aplicação da lei.    

Fosse substantivamente defensor da democracia, Bezerra não permitiria e não contribuiria para com o aviltamento dos valores republicanos. Apadrinhamento, práticas negocistas, fisiológicas e atos de corrupção seriam por ele combatidos com a mesma energia que diz repudiar a ditadura.

Receio que Bezerra defende com tanto fervor a democracia por temer o rigor de um regime mais austero. Não fosse a flexibilidade do judiciário, será que o deputado Bezerra já não teria sido julgado e, oxalá, condenado pelo suposto rombo de mais de R$ 100 milhões causado ao ISS, ainda no primeiro governo Lula?     

“O filho do presidente da República é um irresponsável. Está delirando. A Câmara vai agir de forma enérgica e instalar um processo ético. Com toda tranquilidade, meu voto será pela cassação desse rapaz”, declarou o Matusalém do MDB ao Rdnews.

Bezerra estaria indignado com Eduardo Bolsonaro porque o filho do presidente fez uma referência fora de contexto do famigerado Ato Institucional Nº 05 (Ai-5), que foi editado durante o regimente militar para endurecer o jogo contra os opositores da ditadura militar.