Tenente-coronel Marcos Paccola diz em carta dirigida a amigos que não está clamando inocência

O tenente-coronel Marcos Eduardo Paccola, oficial da PM, ao ser alvo de mandado de prisão na operação do Gaeco deflagrada nesta manhã desta quarta (21), divulgou na rede uma carta dirigida a amigos e colegas. Ele é acusado de participar de esquema de adulteração de armas dentro do Comando Geral da Polícia Militar. Na carta assegura que, mesmo diante desta acusação, tem orgulho de sua conduta. “Sempre mantive minhas ações e atos buscando ajudar a todos que de alguma forma precisavam”, escreveu.

Paccola, que ex-Bope, agradece mensagens de apoio, mas descarta e despreza sentimento de vitimismo ou de pena. “É indigno (ser alvo de tais sentimentos) para com qualquer ser humano que tenha seu caráter alicerçado em valores e princípios fundamentais”, afirma.

O ex-Bope foi preso na manhã desta quarta (21) pelo Gaeco, que é a polícia do Ministério Público. Ele é apontado nas investigações por participar de um esquema de adulteração de numeração de armamentos na Superintendência de Apoio Logístico e Patrimônio (Salp) dentro do Comando Geral da PM, onde está lotado agora. Além dele, outros dois tenentes e um tenente-coronel foram presos.

Na carta, Paccola pontua ainda que não está clamando por inocência. “Muito menos fugindo de minhas responsabilidades perante a Justiça dos Homens diante de meus atos cometidos”. Para ele, Deus o está usando e lhe “dando uma oportunidade de ser uma ferramenta do bem” e pediu para que “possa continuar ajudando e inspirando pessoas”.

Paccola também destaca que possíveis atos irregulares cometidos “foram sempre conscientes” e levaram em conta as histórias que poderiam ser contadas aos seus descendentes. “Minha única base para tomada de decisão e de pesar pessoal é a seguinte reflexão: eu contaria com orgulho em roda de fogueira para filhos e netos a situação dos fatos e os porquês dos atos?” – disse.

Leia a carta na íntegra

Deixo claro que não estou clamando inocência, muito menos fugindo de minhas responsabilidades perante a Justiça dos Homens diante de meus atos cometidos, porque isso nunca fez e nem tampouco fará parte do meu propósito de vida 

Mensagem Aberta aos Amigos e Irmãos

Primeiramente, não seria justo iniciar de maneira diferente, portanto agradeço a todos, sem exceção, as centenas de mensagens e contatos recebidos de pessoas diversas, na maioria desabafando indignação e oferta de apoio quanto aos desdobramentos que resultaram neste momento, de igual forma agradeço o pensamento, porém descarto e desprezo toda energia proveniente do sentimento de vitimismo ou de pena para comigo porque é indigno este sentimento para com qualquer ser humano que tenha seu caráter alicerçado em valores e princípios fundamentais, afinal a FORÇA é atributo de todos que decidem lutar, mas a HONRA é um dom concedido a poucos escolhidos para vencer.

Creio piamente que, nem mesmo uma folha cai de uma árvore se não for da vontade de Deus, e neste momento compreendo que esse mesmo Deus esteja me usando e me dando uma oportunidade de ser uma ferramenta do bem, porque ele não se alegra com a injustiça, portanto, todo aquele que crê deve se dedicar à justiça rejeitando toda forma de injustiça em sua vida, assim sendo, a justiça é tudo que é apropriado, logo injustiça é aquilo que é impróprio. Por exemplo, injustiça tanto é cometer um crime quanto aplicar uma pena excessiva pelo crime, ou se promover diante da aplicação.

Deixo claro que não estou clamando inocência, muito menos fugindo de minhas responsabilidades perante a Justiça dos Homens diante de meus atos cometidos, porque isso nunca fez e nem tampouco fará parte do meu propósito de vida na construção de um legado que está materializado nas ações, atitudes e resultados que falam por si só, e principalmente, o que mais me orgulha é de ter a certeza que sempre mantive minhas ações e atos buscando ajudar a todos que de alguma precisavam, e quando isso não foi possível, fiz e faço toda questão de ser sincero e de auxiliar ao menos não atrapalhando, sem jamais usar ou pisar em pessoas para autopromoção na conquista de holofotes.

Neste momento, reforço o pedido de sempre ao Poderoso Deus que não me conceda fardos mais leves, mas sim, ombros mais fortes, e que eu possa continuar ajudando e inspirando pessoas, e que não me permita abandonar em especial aqueles que por anos perderam o convívio familiar, a saúde física e mental por acreditar que poderiam e deveriam fazer o que fosse necessário para manter em pé o último pilar que separa a sociedade da barbárie e do caos, quantas vidas inocentes salvamos porque não fomos covardes??? Isto porque somos 2% da amostra humana, na hora de escolher, optamos por fazer acontecer a qualquer custo, enquanto a maioria da amostra humana vive a penumbra cinzenta da mediocridade, na dúvida se faz a opção de fazer certo as coisas ou a coisa certa e acabam não fazendo nada além de assitir o resultado para não correr riscos, nem tampouco ter inconvenientes ou exposições vexatórias, junto formam o Grupamento dos 3 “Is”.

Ora pois, reforço que por vencidos jamais nos conhecerão, e que nossos feitos continuarão Ecoando por toda ETERNIDADE, posso garantir a todos, que os atos irregulares que eu possa ter cometido foram sempre conscientes e de decisão exclusivamente particular na validação do risco calculado. Minha única base para tomada de decisão e de pesar pessoal é a a seguinte reflexão: Eu contaria com orgulho em roda de fogueira para filhos e netos a situação dos fatos e os porquês dos atos?

Por fim, clamo aos demais policiais que neste momento seguram os alicerces da muralha que não se sintam atingidos, nem tampouco se esmoreçam, seguimos todos de cabeça erguida, e devemos seguir firme na missão, afinal são as adversidades que nos fortalecem, e se queremos ter a paz, precisamos estar prontos para a guerra, que hoje é irregular e assimétrica, no campo operacional, no campo ideológico, no campo político e no campo informacional. Nossa maior luta é de nos manter atentos para que não sejamos usados como fantoches ou peças em um tabuleiro por pessoas seduzidas pelo status e poder, afinal a prisão mais difícil do homem se libertar é da sua própria consciência e eterno somente será a Glória e o desistir.
Lutem com todas as forças e quando elas acabarem lutem sem elas, porém desistir JAMAIS.

Vida longa aos Homens de HONRA

Marcos Paccola Cuiabá-MT, 21/08/2019

* Em tempo e dever de Justiça agradecer de igual forma aos policiais que foram designados para cumprir a ordem Judicial por todo profissionalismo, respeito e cordialidade para com minha família porque contínuo por aqui no inteiror do Estado firme e focado na missão de colaborar com a mudança de cultura ligado a segurança e autodefesa.

Minha mais marcial e altiva continência a todos os senhores e senhoras.